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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Hoje, quero falar da internet...




Eu quero falar da internet. 
Pra mães, especialmente. 
Bebê pendurado nos peitos, vida transformada, o celular parece a salvação. E ele já salvou a minha sanidade mental inúmeras vezes, é bem verdade. Fiz amigas lindas, aprendi um bando de coisas. De repente a gente se sente menos só. Cabe o mundo nas mãos. 

Mas aí mora a armadilha, amiga, a pior de todas, a mais perigosa. A gente vê o que o mundo quer que a gente veja. E esquece disso. E fica maluca. Todo dia tem uma descoberta científica sobre o desenvolvimento infantil, sobre os malefícios do sol, sobre o shampoo com poli não sei lá o quê que pode causar câncer. A gente segue um milhão de páginas, que vão desde a alimentação ideal ao pensamento positivo. Vê a amiga postando foto magra e sorridente com um bebê de dois meses no colo. E acha que tem que ser tudo ao mesmo tempo. Junta tudo que lê e transforma numa pessoa só, a ideal, impossível de ser. 

Tem que se exercitar, comer bem, não deixar a criança na televisão, ter um quartinho Montessoriano todo organizado e lindo, numa casa organizada e linda. E tem que colocar as cinco cores em todas as refeições da casa. Tipo todas. Malditas cinco cores.

A gente vive com uma sensação de atraso, de que está sendo passada pra trás

Uma amiga fez um curso incrível, a outra emagreceu, a outra viajou pra Paris com os filhos, e você tem a certeza que precisa fazer um curso, enquanto emagrece pra logo depois ir pra Paris. Parece que o mundo está sempre alguns passos a frente. Das nossas expectativas, das nossas angústias. E aí, o que salvava a sanidade, simplesmente nos empurra pra mais solidão, pra menos amor próprio. Opiniões explodindo a cada segundo, novidades que deixam de ser novas em menos de vinte e quatro horas. Um mundo de gente inteligente, feliz e ocupada. E a sensação de que a gente tá sempre perdendo algo. Urgência, urgência, urgência. 

Nessas horas te digo, esse mundo virtual é fake. É só um recorte da vida de verdade. Um recorte escolhido. 

Desliga esse negócio de vez em quando. Vai viver a vida offline. Vai cheirar as crias. Tomar banho de mangueira. Comer brigadeiro na panela. Dançar descabelada no meio da sala. Vai receber abraço, beijar na boca, fazer sexo. Vai sentir cheiro de livro e de bolo quente. Vai viver a vida que não cabe na mão, que precisa do corpo inteiro. Porque quando a gente consegue estar inteira, a sensação de que tá tudo errado vai embora. Se a gente se comparar com essa figura Frankenstein que é soma de inúmeros recortes da vida alheia, estaremos sempre atrasadas. Sempre. Pra trás. Incompetentes.

A internet pode ser incrível, mas já dizia minha avó, a diferença entre o remédio e o veneno tá na dose. Use com moderação.

Texto: Elisama Santos
Imagem:Google

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