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sexta-feira, 4 de maio de 2018

E se fosse do nosso jeito?




Criei o costume de toda semana comprar sequilho com goiabada na padaria perto daqui de casa. Comê-lo bebendo um café sem açúcar tornou-se, sem exagero, um dos momentos mais deliciosos da semana (tirando o dia da coxinha com café). Mas a goiabada me incomodava. Não necessariamente ela, mas sua pouca quantidade. Era um pingo no meio do sequilho. 

Reclamei na padaria, chamei o padeiro de casquinha e tudo mais. 

Outro dia, voltando do estágio, passei pela padaria e, pra minha sorte, disseram que havia um sequilho especial pra mim. Lá estava, o meu sonho num sequilho de um real. Quase que completamente coberto de goiabada. 

Chegando em casa, preparado o café e toda a ritualística necessária para consumir o apetecível sequilho, ocorreu que não comi nem a metade. Enjoei na segunda mordida. Doce demais, chegava a dar náuseas. 

Dia seguinte, cheguei na padaria e lá estava: outro sequilho coberto de goiabada. Me ofereceram e, por vergonha de dizer que odiei o do dia anterior, comprei. Em casa, raspei a goiabada e comi. 

O problema, o inferno, não era a goiabada nem o padeiro, era eu. Fui eu quem, amando o que amava, queria do meu jeito, sem entender que eu gostava era do jeito que era, porque se do meu jeito fosse, eu rejeitaria, enjoaria e até tentaria fazê-lo voltar a ser como era. 

Assim fazemos com as pessoas também. No início as amamos como são, depois que estão conosco começamos a criticar, tentamos mudá-las, tentamos "colocar do nosso jeito", sem saber que nosso jeito são nossas projeções, pessoas que não existem, e que se existissem, enjoaríamos delas. 

Transformamos para descartar, porque quando aquela pessoa muda, muito provavelmente quem gostávamos não está mais lá. 

Essa semana voltei a padaria, pedi o sequilho sem goiabada e mandei avisar ao padeiro que o próximo texto quem escreve é ele, provavelmente virá algo de bom, ainda que não seja doce.

Abençoados sejam meus amigos cada qual a sua maneira e o seu jeito de ser. 

Texto de Jonathan Araújo
Imagem: Google 



4 comentários :

  1. Grande verdade... Os enjoados somos nós mesmos...
    Abraço.

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  2. Nossa, que post!!! Se a gente tenta mudar alguém, que não está bem é a gente. O que eu vejo nesse post é que muitas vezes a gente quer fazer das pessoas o que elas não foram feitas para ser. Cada pessoa é diferente e aí está sua beleza.

    Obrigada por essa reflexão!
    Beijos!

    http://vivendolaforanoseua.blogspot.com/

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  3. Maravilhoso! Gratidão por compartilhar esse insight!

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