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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Filhos...



Uma pessoa, quando ganha um filho, deixa um pouco de ser, ela mesma, filha. Sua condição muda. Agora ela não é mais apenas receptora, é também doadora de amor.

A realização do ser humano é tornar-se doador de amor, mais do que receptor. Claro, essa realização não se dá apenas com a paternidade e a maternidade. Padrinhos e madrinhas, tios e tias e até amores românticos podem suprir essa necessidade de amar.

Mas o objeto de amor, o filho, enquanto ele vive só na condição de filho, é como se ele estivesse no começo, como se estivesse na fase de estreias da existência. Há muito ainda pela frente e, por ele não saber o que há pela frente, há quem o vele e guarde - são os seus pais.

Um filho que já teve filho lega a seus próprios pais outro ser para guardar e velar: o neto. Quer dizer: o amor que os pais tinham por aquele filho, de certa forma, é um amor já realizado, como o de amantes que se casaram. O amor continua, mas, por ser realizado, é um amor aplacado da gana e da fúria, é um amor sem ansiedade, um amor de primavera, não de verão.

Já um filho que ainda não teve filho é objeto de um amor pulsante, um amor aflito, que acorda de madrugada para contar a ausência do ser amado no relógio.

Foi isso que me pegou: pensar nas mães e nos pais daqueles meninos e meninas (de Santa Maria). Porque todos acham que os filhos são dependentes dos cuidados dos pais, quando é o contrário: os pais é que são dependentes do bem-estar dos filhos. Pois, afinal, o amor que se dá é muito mais valioso do que o amor que se recebe. Pois, afinal, amar acaba sendo mais importante do que ser amado.


David Coimbra
Trechos da sua coluna do jornal ZH do dia 01/02/2013.
imagem daqui


Achei lindo esse olhar,
por isso selecionei alguns trechos para postar aqui. :)



4 comentários :

  1. Tb achei lindo!
    Cheio de sentido e sentimento.
    Bjos minha cotovia, filha, mãe, amiga :)

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  2. Belo texto! O amor que sentimos quando nos tornamos mães que os filhos só o entenderão quando se tornarem pais.
    Uma sexta abençoada!
    Beijos,

    Lu!

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  3. Que bonito, deve ser um amor sem fim, de pai para filho.

    Beijos

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  4. Excelente escolha, Sheila! Também considero que somos mais dependentes do amor que damos que do amor que recebemos!

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